Estranho efeito da disponibilidade imediata da informação

Um dos efeitos mais interessantes do fato que informações aparecem em nossas telas quase que ao mesmo tempo em que os eventos estão acontecendo é que vemos informações que não foram confirmadas ou pesquisadas.  Isso acontece com grande frequência e já isso sendo apontado como um dos pontos negativos dos “blogueiros” em comparação com a mídia tradicional.

Os eventos recentes na Líbia parecem indicar que este tipo de coisa não é de forma alguma uma exclusividade dos blogueiros.  Só hoje, entre a GloboNews, a CNN e o New York Times, eu vi o nome do ditador da Líbia escrito de diversas formas.  Vejamos…

Ghadafi, Qadafi, Kadafi e mais interessante de todos Kadaki.

Não creio que possamos categorizar qualquer destes meios de informação como qualquer coisa diferente de mídia tradicional.



4 Responses to “ “Estranho efeito da disponibilidade imediata da informação”

  1. Adriano says:

    Interessante que hoje mesmo eu pesquisei sobre isso do nome do Kadaffi.

    Acho que é um problema de tradução entre diferentes alfabetos.

    Por exemplo, o pessoal do Firebird costuma mudar o próprio nome :) (Nickolay – Nikolay, Horsun – Khorsun)…

  2. Ricardo Goldbach says:

    Prezado Mauricio:

    Posso dizer que a primeira parte do fenômeno, a exacerbação do copy&paste que se vê na blogosfera, atinge também a mídia tradicional. À medida em que os veículos formais alimentam-se das mesmas agências de notícias, já que a manutenção de equipe própria de reportagem demanda custos elevados, mais e mais os textos tendem a ser, digamos, semelhantes, sofrendo apenas pequenas mudanças que visam alguma instância de individualização. Há veículos que sequer contratam agências, alimentando-se de outros veículos, sendo os textos igualmente personalizados. Observa-se então um resultado perverso: se uma agência ou veículo é omisso no processo de verificação e apuração, o erro resultante é propagado ao longo de toda a cadeia de réplicas.

    Aí entram os blogs pretensamente noticiosos, mantidos por leigos em teorias e práticas do jornalismo, que alimentam-se tanto de seus congêneres quanto da mmídia tradicional. Pronto, temos então um ambiente fechado, com o ar viciado sendo circularmente respirado e re-respirado pelo leitor, a quem cabe o trabalho de crítica e avaliação.

    Quanto à grafia de nomes próprios, estes são sujeitos a normas estabelecidas em manuais de redação, sendo que alguns veículos desenvolvem seus póprios, ao passo que outros simplesmente adotam o que mais lhes agradar. Tais manuais estabelecem recomendações de escrita em prol da uniformidade, com base em critérios rigorosos e precisos de gramática e estilo. No caso do ditador líbio, por exemplo, a escolha do Estado de São Paulo e de outros foi no sentido de se escrever de acordo com a fonética do idioma árabe, daí o “G” no início do nome. Mas uma recente reportagem da Folha (que por sua vez cita matéria da rede norteamericana NBC…) chega a listar 112 formas diferentes de escrita para o nome de Moamar Kadafi (ou de Muamar Gaddafi, ou de Muammar Al Ghaddafi, ou de Muammar Al Qaddafi, ou de Muammar El Qaddafi, ou de Muammar Gadaffi, ou de Muammar Gadafy, ou de…).

    Mais ainda, há casos em que a grafia específica de um nome é comum a toda a nação, como é o caso extremo de Portugal. Na imprensa lusa a rainha da Inglaterra é chamada de Isabel, uma vez que Elizabeth não é nome próprio português, tendo sido necessário, portanto, nacionalizá-lo. Coisas de nossa Babel contemporânea.

    Aquele abraço.

  3. Ricardo Goldbach says:

    Em tempo: há casos em que nenhum manual de redação e estilo fará qualquer diferença, restando a via da demissão por justa causa. É o caso do Globo Online, tradicional abrigo de textos horrendos, como este, de matéria sobre uma confusão ocorrida na fila das barcas da Praça XV:

    “A fila passa da passarela da Perimetral, e os usuários levam cerca de 40 minutos para entrar dentro da estação”.

  4. railer says:

    o pior é quando divulgam algo que nem aconteceu ainda, como o jornal que soltou, de forma errada, um anúncio de solidariedade ao brasil por ter perdido na copa, antes mesmo do jogo decisivo acontecer.

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