Falta de informação e de nocão…

Um dia após ter escrito o artigo sobre eBooks estava sentado trabalhando em um dos meus escritórios/cafés favoritos, escrevendo um artigo para um outro blog que mantenho em Inglês. Sentados ao lado estava o que parecia ser uma família que conversava animadamente. Derrepente a palavra Kindle me chamou atenção para a conversa deles.  Sei que bisbilhotar não é educado, mas estavam a menos de um metro de mim e sem fones de ouvido, nem que me esforçasse muito eu conseguiria deixar de ouvir, depois de ter tido minha atenção despertada.

De início, apenas pensei na coincidência pois estava escrevendo um post para um blog que mantenho em Inglês e citava o mesmo aparelho.  Após observar discussão desta familia sobre o Kindle por alguns minutos, ficou claro que a falta de informação deles sobre o tema de livros eletrônicos era realmente muito grande.  O que mais me impressionou, contudo, foi uma afirmação largada por quem parecia ser o filho, quando já se levantavam para ir embora.   Ele foi explicando que não via muita razão para ter um Kindle pois ele usava um formato próprio, diferente dos mais comuns e que se você queria ler um livro eletrônico bastava entrar em um site de Torrents e procurar o livro que você queria em formato PDF, independente dele ter sido publicado em formato eletrônico ou não.

Mais do que a constatação de que a  falta de informação sobre o assunto, afinal ninguém tem obrigação de estar sempre antenado, é  a naturalidade com que as pessoas tratam a obtenção de conteúdo eletrônico sem pagar pelo mesmo.  Muitas vezes, quando me perguntam onde eu consigo os livros eletrônicos que leio, ou ouço, parecem ficar muito espantados quando digo que os compro na Audible.com ou na FictionWise.  Parece que a idéia de comprar algo que vem pela Internet ou que você usa no computador é algo de totalmente anormal.

Está certo que poucas oportunidades são dadas aos brasileiros para comprar conteúdo on-line, mas ainda assim o conceito não deveria ser algo difícil de entender.  Acho estranho que as pessoas achem que alguém poderá escrever livros, fazer um filme ou gravar músicas sem haver alguma remuneração por isso.   Como estas pessoas irão viver?

Sou extremamente inconformado com a impossibilidade de comprar músicas via o iTunes.  Não posso comprar porque não é feita a venda para brasileiros na loja on-line da Apple.  Tenho certeza de que existe alguma boa razão jurídica para isso, mas é algo que me incomoda pois eu gostaria de gastar o meu dinheiro comprando músicas que eu gosto para ouvir no meu iPod e não posso.  Parece uma coisa sem sentido.

A maioria dos brasileiros, como o rapaz da conversa que provocou estas reflexões, nunca pensaria em comprar uma música on-line.  Todos parecem achar que nada é mais natural do que baixá-las da Internet.  O mesmo parece acontecer com todos os tipos de conteúdo digital.   A cara com que me olham quando comento que estou aguardando um update no software Bootcamp da Apple para que possa comprar o Windows 7 para instalar na partição Windows do meu MacBook é algo de impagável.  Parecem olhar para mim como quem diz: “Coitado! Tá doente!  Quer comprar um software!”

Recentemente a Saraiva começou a oferecer Filmes e Séries em formato digital, por preços razoáveis.  Até hoje não fiquei muito empolgado em experimentar o serviço pois o mesmo oferece os filmes em um formato que só é compatível com o Windows e a minha plataforma principal de computação doméstica é Apple.   Acho que vou superar este preconceito para pelo menos experimentar o serviço, embora justamente esta limitação me deixe ainda mais frustrado por não conseguir comprar conteúdo na iTunes, que seria compatível com todos os meus dispositivos: Macs, PCs e iPods.

Vou experimentar o serviço da Saraiva para poder comentar com mais propriedade, no futuro.



One Response to “ “Falta de informação e de nocão…”

  1. RGold says:

    Há mesmo uma noção impregnada no senso comum, de que tudo o que está na Internet é de graça. É assim porque no início era assim. Hoje, por extensão, o que não é gratuito deveria ser. Ora vejam, que coisa, alguém querer cobrar pelo fruto de seu esforço, onde já se viu… 😉

    Aquele abraço.

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